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7 lições que aprendi em 7 temporadas de Gilmore Girls 5 comentários

Hello Pipol, tudo bem com vocês?

Sempre ouvi falar muito bem do seriado Gilmore Girls. Quando a Netflix liberou a season finale ano passado, fiquei doida para maratonar tudo. Minha lembrança desta série é bem remota, já que ela foi exibida no SBT nos anos 2000 com o nome de “Tal Mãe, Tal Filha”.

Sinopse

O enredo da série é de se apaixonar! Lorelai Gilmore está em sua melhor forma e viciada por cafeína. Sua família vem da alta sociedade na cidade de Hartford. O que eles não esperavam é que Lorelai engravidasse aos 16 anos e fugisse para Stars Hallow na intenção de criar sua filha Rory – Lorelai Gilmore III para os menos íntimos – sozinha.

O acontecimento foi um choque para família já que ela não se casa com o pai da criança, não vai para faculdade e tem uma vida fora dos padrões desejados por Emily e Richard – pais de Lorelai.

A série começa quando Rory tem 16 anos – a idade que a mãe engravidou – e Lorelai tem 32. A relação das duas é baseada na amizade, amor e respeito; beeem diferente de Lorelai e sua família. A oportunidade de mudar esta situação aparece quando Rory vai para Chilton – uma escola particular –  e Lorelai se vê obrigada a pedir um empréstimo para os pais. A condição para o empréstimo? Jantares todas as sextas, reunidos como só uma família poderia ser.

“Rory. Bom… Lorelai tecnicamente.”

Meu diário Gilmore

“Ela estava deitada no hospital pensando como os homens nomeiam seus sucessores o tempo todo, então porque uma mulher não poderia?”

Como toda boa série, a gente se apega, morre de amor e aprende um tanto. Com nossas meninas não poderia ser diferente.

Lição 1: Ter a mãe como melhor amiga é a melhor coisa no mundo!

O que mais me chamou a atenção na série é como Lorelai tenta construir com sua filha o tipo de relação que nunca teve com seus pais, e ela consegue! Me identifiquei demais porque tenho essa relação maravilhosa com minha mãe.

Foram vários momentos que me peguei pensando ao longo da série “Meu Deus, como somos Gilmore!” e este pensamento alimentou mais ainda e me fez enxergar o quanto essa relação com a minha mãe é importante pra mim. Minha princesa tinha 19 quando engravidou de mim, então não estamos tão longe da realidade Gilmore, né? 😉

Lição 2: Existe um jeitinho Gilmore que consegue de tudo um pouco.

Rory me inspirou por gostar muito de leitura, assim como eu. E cara, ela dava conta de tudo! Chilton, Yale, do namoro, os momentos com a mãe… Sempre que penso na quantidade de livros tenho pra ler, séries pra atualizar, jobs pra entregar. Eu paro e penso: Se a Rory deu conta, eu também dou!

Já Lorelai, assim como Emily tem uma incrível agilidade e poder de argumentação. Quantas vezes vimos as pessoas cedendo às vontades delas por não saberem dizer não a tanto falatório argumentativo? Elas conseguem tudo o que querem. e a gente quer aprender como faz essa magia Gilmore acontecer. 

Não posso desperdiçar mais nenhum tempo e energia com arttifícios e besteiras.

 

Lição 3: Até as pessoas mais fortes precisam de apoio.

É uma grande ilusão acreditar que quem tem muito pra dar, nunca precise receber. Lorelai pôde contar com várias pessoas ao longo da sua vida e elas a sustentaram nos vários momentos de dificuldade.

Às vezes a gente deixa de dar uma palavra amiga a alguém por pensar que essa pessoa é forte o suficiente e que sabe se virar sozinha, provavelmente isto é verdade. Mas a gente só se fortalece através do apoio das pessoas que nos amam. 

Lição 4: O boy lixo pode acontecer pra todas nós!

A gente se apaixona e aí pronto! Não há uma viva alma que nos aconselhe, que consiga convencer que não vale a pena insistir nesse romance fadado ao fracasso. O fato é que relacionamentos só vão adiante – principamente se o casal for muito diferente um do outro – se os dois forem bastante honestos.

Há teorias controversas sobre os namorados de Rory, mas pra mim o mais danoso foi o Jess – apesar do Logan não ser tão santo assim. Pelo menos o Logan entrou na relação de cabeça, coisa que o Jess não fez!

Mas vamos combinar, cada pessoa tem seu tempo de maturidade e algo que é ruim agora pode nos ensinar bastante e nos fazer crescer.

Lição 5: Nem sempre temos certeza do futuro.

Se a Rory – que era um exemplo de menina – teve dúvidas quanto suas escolhas, que dirá nós meros mortais!

Às vezes nossas maiores certezas se tornam pesadelos e então precisamos de tempo para respirar e recalcular os objetivos. Os sonhos podem, e vão, se transformar ao longo do caminho e cabe a nós ter maturidade pra saber qual rumo tomar.

Lição 6: Podemos – e devemos – dar o primeiro passo para reconciliação.

Que Emily e Lorelai nunca tiveram uma boa relação, disso todos nós sabemos, mas em alguns momentos vimos as duas se apoiando e dando um passo – ainda que pequeno – para a reconciliação.

Lorelai precisou entender o ponto de vista da sua mãe para então recolher sua postura passiva-agressiva.

Existem momentos na vida que as coisas só vão melhorar se a gente mudar de postura. Esperar compreensão dos outros sem se permitir compreender é um erro rude!

Lição 7: Valorize suas amizades!

Foi lindo ver a Rory acompanhando a Lane e tendo seu apoio até o fim das 7 temporadas. Ainda que a vida as levasse para caminhos diferentes, elas não abandonaram a amizade.

A forma que elas se descobriram e compartilharam esses momentos foi lindo e é aquele tipo de amizade que as duas poderiam ficar meses sem se ver, que os reencontros eram intensos e cheios de verdade.

Foi triste chegar ao fim da sétima temporada sem saber o que aconteceu com Rory e todo o lance da Lorelai com o Luke. Por isto a Netflix nos presenteou com o especial “Um Ano Pra Recordar“. Ouvi muitas críticas ao especial, mas confesso que fiquei super curiosa e ele não vai passar batido. É a próxima etapa para despedir das meninas Gilmore.

E pra tentar amenizar meu sofrimento tem a dica bônus que vai comigo para o resto da vida.

Lição Bônus: Uma boa xícara de café tem seu lugar!

Nunca fui o tipo de pessoa viciada em café – na verdade fui daquelas crianças leite com toddy – já que minha gastrite não me permite tanta cafeína. Mas todas as vezes que eu via Lorelai e Rory falando de café eu sentia vontade de apreciar um pouquinho.

Depois de algumas tentativas passei a admirar os momentos com café, e confesso que me sinto parte da família quando encho minha xícara. Sempre que sinto aquele cheirinho tenho a certeza que aprendi e cresci muito com nossas Gilmore Girls.

Você sabe, algumas pessoas costumam dizer que café no meio da noite pode tirar seu sono.

Mas como diria Lorelai a Rory: “As pessoas são burras.”

Beeeijos e até a próxima! 😉

 

 

 

 

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Girlboss: por uma outra perspectiva (alerta de spoiler) 3 comentários

Hello Pipol, tudo bem com vocês?

Muito se ouviu falar sobre a nova série do Netflix, Girlboss. Não sei vocês, mas eu corri pra ler todas as resenhas a respeito, porque já estava louca com o tal livro rosa que viralizou o termo mais usado para representar o #girlpower ultimamente, e tudo isso falando de moda. Um prato cheio para mulheres modernas emponderadas, certo? Bom… Talvez nem tanto!

Ok, mas disso a gente sabe, né? Temos resenha do blog Fashonismo, Modices, e váaaarios outros apontando problemáticas muito importantes sobre a personalidade de Sophia e o inicio polêmico da Nasty Gal. Ainda sim, senti a necessidade de trazer meu olhar sobre a série e pontuar algumas coisas que percebi e ainda não foram citadas.

Sinopse

É baseado no livro de mesmo nome que conta a história real da criadora da marca de roupas Nasty Gal. Foi a pioneira no mercado de venda online há 10 anos atrás. Sophia Amoruso é uma garota de 23 anos vivendo em uma apartamento alugado em São Francisco e apesar das dificuldades financeiras, se recusa a voltar pra casa do pai.

Girlboss: por uma outra perspectiva

A menina que nunca cresceu

Sophia não aceita a vida adulta por ser ~aonde os sonhos vão para morrer. Mas que sonhos? Isso não fica explícito na série, então temos exatamente a impressão de uma menina mimada, orgulhosa, que não respeita ninguém. Ela tem o melhor dos dois mundos: entra nas baladas, faz o que “bem entende” da vida, mas quando dá problema, simplesmente varre para baixo do tapete e diz que não está pronta pra assumir tal responsabilidade.

O ponto aqui, é que eu vejo este comportamento muito presente na vida de nós millenials. Fomos ensinados que somos especiais, que devemos fazer o que amamos, que o importante é viver dos nossos sonhos custe o que custar.

Talvez por isso me identifiquei com as crises existenciais que ela tem, o orgulho em não querer voltar pra casa do pai, a falta de humildade em aceitar a amizade de pessoas honestas, o egoísmo em achar que apenas ela tem problemas e que o mundo gira em torno de si.

Todos nós em algum momento da vida já tivemos algum destes comportamentos – em maiores ou menores graus – simplesmente pela forma que fomos criados, pela facilidade que a internet trouxe e a mudança na auto estima de toda uma geração.

Sejamos honestos, o que Sophia faz no começo do seu negócio é o que a maioria de nós faríamos se tivéssemos as mesmas oportunidades – não podemos negar que a criatividade e o timming que foram perfeitos. O que não significa que esta postura esteja certa!

Por isso, o rodo da desconstrução é sempre necessário. Nós enquanto jovens adultos precisamos mudar nosso comportamento em relação a nós mesmos e aos outros. E esta mudança chega pra cada pessoa em uma circunstância diferente de acordo com o caráter, condição social e urgência na vida – não podemos desconsiderar que o caráter é algo construído socialmente, a gente não nasce assim.

Girlboss

Vá se foder, mundo!

 

O mundo capitalista e a internet

A diferença entre Soph’s e outros jovens empresários de classe média da vida real, é que seu problema de caráter foi revelado ao mundo. Vocês já pararam pra pensar em quantas empresas começaram fraudando, burlando, roubando, sendo desonestos? Talvez a gente não tenha a noção do quanto isso é real!

A problemática da mão de obra escrava, produtos superfaturados e desvalorização dos funcionários vem de longas datas. O capitalismo, mores, tá aí desde que o mundo é mundo. Sophia Amoruso não foi a primeira nem será a última a construir um império em cima da desonestidade.

Isto é o que chamamos de “white girl problem“. Sabemos que se esse mesmo comportamento questionável viesse de alguém pobre, ou negro, as consequências viriam a trem bala. Algo que não aconteceu com a branca, magra e rica protagonista da revolução na moda online.

 

Sobre a produção

Disto a gente não pode reclamar, né? A Netflix tem caprichado na qualidade do material audiovisual. O figurino está muito bonito, mas me perguntei algumas vezes se estava de acordo com o contexto, já que a série se passa em 2006 (juro que não lembro o que os adultos vestiam nessa época, hahaha’).

A trilha sonora está divertida e ainda temos a participação de Ru Paul pra deixar tudo dentro dos conformes.

Temos 13 episódios de 30 minutos e confesso que senti falta de ouvir mais sobre moda, o que as pessoas consumiam na época, quais as marcas importantes e as grandes referências. Pensem comigo! 10 anos de diferença entre o acontecimento e o relato é MUITA coisa! A última produção importantíssima no quesito referência foi “O Diabo Veste Prada” e isso já faz 11 anos. Ainda sim o filme é considerado um divisor de águas no mundo da moda.

 

Linha dramática e a personalidade de Sophia

Confesso que comecei a assistir procurando os defeitos que li nas críticas, e não se enganem, eles estavam lá! Mas ao longo da série me identifiquei muuuito com a protagonista e senti a humanização dela. E por se tratar de uma versão livre de uma auto biografia é muito fácil encontrar este lugar de identificação. Estamos falando de alguém que existe e continua escrevendo sua trajetória ao longo dos anos.

A série é como sobre tudo começou, portanto, não podemos julgar sua personalidade, até porque somos mutáveis (apontar problemáticas e julgar são coisas completamente diferentes. Inclusive, amo uma boa problematização e acho que neste caso foi super pertinente).

Achei a linha dramática boa porque vemos ao longo da narrativa o amadurecimento de Sophia. Dá pra sentir que ela não é a mesma menina que iniciou a série passando sermão sobre a vida adulta. E estes acontecimentos aparecem de forma gradual. Inclusive o guarda roupa dela vai evoluindo sutilmente.

Primeiro ela se desculpa com a mãe de Nathan pelo chilique do dia anterior (no episódio da entrega do vestido de noiva). Depois vem tentativa de ligação para o pai, dizendo que sentia saudade e que estava tudo bem (episódio em que ocasionou o rompimento da hérnia). O carinho em que trata o chefe na escola de arte quando vai se demitir (no episódio em que ela faz a cirurgia de hérnia).

A vez em que pensou em pedir ajuda ao seu pai e se estruturou de forma madura para que ele a ouvisse com seriedade (episódio em que ela faz as planilhas e inclui Shane no plano para apoiá-la). Cada momento em que ela reconheceu seus erros e venceu seu orgulho para pedir desculpas à Annie. O que dizer do pedido de desculpas/agradecimento à mocinha do outro brechó online vintage? (Não lembro o nome dela agora). Até chegarmos ao fatídico final onde reconhece que não teria dado um passo sequer se não tivesse ajuda daquelas pessoas ali presentes.

A história é bem amarrada e não deixa nenhum personagem pra trás, apesar do sumiço de alguns durante os episódios. O encontro final no lançamento é quando a gente percebe que aquelas pessoas realmente tocaram a vida dela.

Girlboss

Gostei da série, me identifiquei com o universo da protagonista, a vontade de correr atrás do seu sonho (apesar de ninguém saber qual é na real), de não se render e não aceitar envelhecer como todas as outras pessoas se conformando com um vidinha pacata – isso não significa que concordo com a forma que ela fez as coisas.

A série me incentivou a continuar garimpando em brechós, afinando meu senso de estilo, acreditando e investindo em consumo consciente – porque sim, me recuso a pagar 100 dólares em uma peça que foi comprada por 8 – e a valorizando das pessoas. Me fez refletir também que auto confiança não é maltratar ninguém ao seu redor, ou ter que diminuir alguém pra se sentir bem. É reconhecer seus pontos fortes e não desacreditar deles.

Eu entendo as problemáticas e privilégios que Sophia carrega ao longo da sua história, mas o comportamento dela em algumas ocasiões são muito próximos de várias pessoas da nossa idade. As mesmas pessoas que cresceram acreditando que poderiam tudo independente do que viesse, que precisariam passar por cima de tudo e todos para provar um ponto de vista e que não precisa de ninguém pra ser feliz.

A mesma geração que desconstrói relações porque não encontra ninguém “bom o suficiente” para satisfazer seus caprichos mesquinhos (isso pode virar um post pra outra hora).

Procurando os erros, encontrei alguns acertos. E talvez seja apenas a questão de tentar enxergar as coisas por outras perspectiva.

Créditos: Imagens retiradas do Tumblr.

Beeeijos e até a próxima! 😉

Assinatura Nattany Martins

 

 

 

 

 

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