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Depois de anos li Capitães da Areia e me surpreendi

Hello Pipol, tudo bem com vocês?

Sempre quis ler alguns livros mais complexos e por que não começar pelos clássicos? Ao longo da minha adolescência ouvi muita gente falando bem de Capitães da Areia, inclusive sendo citada em referências musicais e outras obras artísticas. Demorei muito, mas finalmente li e posso dar minha opinião pra vocês.

Sinopse

O livro foi escrito em 1937 por Jorge Amado e fala sobre um grupo de meninos órfãos vivendo na Bahia em um armazém abandonado, onde a trajetória é marcada pelos furtos que faziam para sobreviver. Sem orientação direta de pessoas adultas, os Capitães da Areia ficaram conhecidos como os jovens mais perigosos de Salvador.

A começo de conversa, este não é um livro infantil. Trata-se de crianças porém recomendo a leitura aos maiores de 14 anos. Alguns acontecimentos na história são bem chocantes e conseguem ser digeridos melhor com um pouco mais de maturidade – que convenhamos não tem a ver com idade, né? Maaaas, por via das dúvidas vamos ficar com esta faixa etária mesmo, hahaha’.

A leitura foi mais leve do que imaginei. Confesso que aguardei mais um daqueles clássicos difíceis que somos obrigados a ler na escola. Talvez se eu tivesse contato com este livro na escola não teria gostado muito, mas com um pouco mais de maturidade é possível entender o tipo de crítica feita na narrativa.

O significado literário

Gosto deste tipo de leitura que nos faz pensar sutilmente através de problemas escancarados sobre as desigualdades vividas no Brasil. O contar desta história é uma chamada didática ao questionamento, e digo didática porque quando pensamos “o que acontecerá com estes garotos?” estamos avaliando não só a narrativa literária, mas também ativando o senso crítico.

Me peguei o tempo todo pensando “mas será que ninguém se importa?” e por isto esta obra tem tal importância na literatura brasileira. Ela foi um afrontamento no período em que foi lançado porque o Brasil passava por uma ditadura. Vários exemplares de Capitães da Areia foram queimados em praça pública como forma de silenciar os questionamentos e censurar qualquer tipo de discurso a favor da igualdade e liberdade.

Algumas descobertas dos Capitães de Areia eram tão simples e repletas de significados que me vi repensando a minha vida e os privilégios que tenho, desde uma casa pra morar, amor de mãe, ser correspondida em um relacionamento afetivo ou poder demonstrar minha fé religiosa sem medo. Tudo é um presente pra quem não tem nada.

Algumas amigas me disseram que este é o livro preferido da vida delas e eu não entendi porque. Depois de alguns meses compreendo a ressaca literária que venho tendo, hahahaha’. A obra é tão profunda e simples que deixou seu eco na minha rotina e eu nem percebi, mas ela esteve aqui.

Recomendo a leitura a todo mundo e peço encarecidamente que abram suas mentes para o que irão receber. É revoltante, é lindo, é provocador e com certeza um afrontamento inclusive nos dias de hoje.

Beeeijos e até a próxima! 😉

 

 

 

 

 

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Em Algum Lugar Nas Estrelas – Resenha 3 comentários

Hello Pipol, tudo bem com vocês?

Há um tempo atrás fiz um sorteio para comemorar um ano do blog. Escolhi dois livros legais que achei que vocês gostariam de ganhar e também que fossem coerentes com as coisas que conversamos por aqui. Um deles foi Azeitona do Bruno Miranda, o outro foi Em Algum Lugar Nas Estrelas da Clare Vanderpool.

Fiquei tão chocada com a belezura dos livros que acabei ganhando uma versão pra chamar de minha do Em Algum Lugar – vamos chamar assim pra abreviar?

Sinopse

 

O livro conta a história de Jack Baker, um garoto do Maine que se sente um pouco perdido. Seu pai é um militar muito empenhado em sua função, e sua mãe… Bom, sua mãe faleceu. No colégio militar ele conhece Early Auden, que tem um raciocínio nada linear a respeito do número Pi e histórias que os envolvem. Os dois vivem uma grande aventura na trilha Apalache em busca de um urso e encontram mais que procuravam.

Em Algum Lugar Nas Estrelas

A primeira coisa que me chamou a atenção com certeza foi a capa. A questão visual é muito forte e foi pensada para trazer afinidade com o tema a ser tratado, já que muita gente não conhece a respeito de constelações.

Comecei a leitura sem saber o que esperar e no decorrer do livro me surpreendi. A leitura é leve e a interpretação é fácil. A conexão entre os acontecimentos me prenderam do começo ao fim.

Gosto das narrativas infanto juvenis porque elas me fazem sonhar me tirando do lugar e me ensinando suas lições. Sabe aqueles personagens que você vê crescendo ao longo da trama e se apaixona? Foi o que aconteceu comigo!

Em Algum Lugar Nas Estrelas

 

A história…

 

Jack e Early sentem sozinhos e não confiam nas pessoas ao redor. Os garotos são confrontados o tempo todo a respeito do comportamento social e se sentem deslocados no ambiente hostil da escola militar. O momento em que se tornam amigos, é onde tudo começa a acontecer.

Jack se vê em um conflito gerado pelas diferentes lições que aprendeu com seus pais e o seu senso de lealdade e colocado a prova, até mesmo sua forma de enxergar a arte muda.

A amizade dos dois é fortalecida a medida que eles caminham em busca de respostas individuais e encontram oportunidades de se ajudarem mutuamente. Early ensina a Jack de forma sutil confiar em alguém e o surpreende mostrando que seus problemas não eram os únicos no mundo.

 

No inicio de cada capítulo vemos referência a uma constelação que “guia” a narrativa daquele capítulo. Por não conhecer sobre constelações, honestamente, não consegui fazer um ponto de ligação entre a história e as estrelas apresentadas. Mas acho interessante este tipo de mapeamento porque coloca o leitor completamente dentro da história, já que a questão visual ajuda a familiarizar com o que virá e trás o lúdico da situação em que os garotos estão vivendo.

 

Dentro da trama as estrelas tem a importância de guia-los nesta busca por respostas pessoais e aí percebemos que de formas diferentes eles aprenderam a ler as estrelas. Foram elas que os ligaram, que os ensinaram a encontrar o caminho de casa.

Com certeza este é um livro que vou carregar pra vida e a cada releitura encontrarei algo diferente. Se você também gosta de histórias de aventura que trazem grandes lições, você vai amar este livro!

Beeeijos e até a próxima! 😉

 

 

 

 

 

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A Garota Dinamarquesa: livro x filme

Hello Pipol, tudo bem com vocês?

Desde que vi o trailer do filme A Garota Dinamarquesa pela primeira vez, meus olhos brilharam. Minha mãe insistiu pelo filme diversas vezes, até assistir sem mim. O livro eu ganhei do namorado.

Sinopse

O pintor dinamarquês Einar Mogens Wegener (Eddie Redmayne) é casado com Gerda (Alicia Vikander) e sempre se identificou com o universo feminino, mesmo de forma velada. Mas seu instinto fala mais alto e ele decide fazer uma cirurgia de mudança de sexo. Einar passa a usar o nome Lili Elbe e entra para história como a primeira pessoa a se submeter a esse tipo de procedimento.

A Garota Dinamarquesa

A leitura

No começo achei o livro muito parado, mas entendi que a história precisava de um detalhamento pra trazer o leitor ao sentimento dos personagens. Principalmente por se tratar de uma ficção a respeito de alguém que realmente existiu.

Cada capítulo eu sentia como se fosse o fim de tudo (tô acostumada com os detalhes apenas nas cenas finais, vê se pode!). Acho que nunca chorei tanto dentro dos ônibus. Há muito tempo não vivia uma experiência de leitura intensa, daquelas que abalam o mundo da gente, sabe?

Minha memória olfativa e visual é muito boa. O álbum da Lorena Chaves que ouvia sempre que lia, não é mais o mesmo. Tenho Lili Elbe em minha mente como referência quando escuto essas músicas.

Uma das vantagens dos livros é que eles nos fazem imaginar as cenas, desenhar os personagens, as paisagens e é realmente uma viagem.

O filme

A fotografia fantástica encanta de cara. E ao contrário do livro, a história se desenvolve com mais rapidez. Todos sabemos que um não dá pra gravar o livro inteiro, portanto algumas cenas são cortadas.

Acho que o roteirista consegue captar de forma geral o que é importante pra que a história seja compreendida com clareza, já que se trata de um tema complexo. Mas confesso que senti falta de algumas coisinhas.

A atuação achei impecável, principalmente Alicia Vikander como Gerda (Oscar mais que merecido, né miga?). Aaaah tem isso também! No livro a esposa de Lili é Greta, no filme optaram por usar o nome original, Gerda.

Gerda - A Garota Dinamarquesa

O que achei

Como disse acima, o livro conta a história de alguém que existiu, mas é uma ficção. Isso significa que os fatos não estão em sua ordem cronológica, pois não é um relato biográfico. Inclusive o nome de alguns personagens foram trocados.

Achei a iniciativa legal porque deu pro autor a liberdade de discorrer sobre o assunto de forma pessoal, usando a história real e planejando algumas cenas que dariam o tom certo de emoção.

No livro tive a impressão que Greta se importava mais com Lili. Um amor devoto que a levou ao anulamento algumas vezes. Já no filme, dá a entender que Gerda se manteve a Lili para não perder sua modelo. Acredito que as duas visões sobre a relação das duas estão corretas, porém prefiro o laço de amizade que as duas constroem no livro.

No filme tem uma cena genial que não tem no livro: a clássica chuva!

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É nesse momento que Gerda demonstra o quanto está cansada de relevar. Ela estava disposta a ter seu marido ainda que Lili. Acredito também ser o momento que ela entende Lili como outra pessoa, com outras vontades. Naquele momento ela entende que cada uma precisa seguir seu caminho.

Me identifiquei muito com a história por ter vivido alguns anos atrás algo parecido (pano pra manga esse assunto, quem sabe em outro post?). Me vi representada na força e amor de Gerda, no carinho com a amiga, na intenção de fazer Einar descansar em paz. Ainda que fosse doloroso pra ela perdê-lo. No reconhecimento de Lili como um indivíduo.

A descoberta veio pras duas, a dor também ainda que manifesta de formas diferente.

Essa história tem todo meu amor nos dois formatos, mas seria eu seria rasa se não contasse a vocês que o livro mudou minha vida.

Créditos: Imagens retiradas do tumblr.

E você? Que livro mudou sua vida?

Beeeeijos e até a próxima! 😉

Assinatura Nattany Martins

 

 

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Skoob – A rede social pra quem gosta de leitura 2 comentários

Hello Pipol, tudo bem com vocês?

Quem gosta de leitura entende o nível da emoção que é achar essa estante virtual. Acontece uma troca maravilhosa por todos os universos possibilitada pela leitura.

Adotei o aplicativo pra minha vida. O Skoob é daqueles queridinhos de quem ama livro, e imagine uma rede social cheia de livromaníacos?

Confira as várias funções lindas dessa rede social:

  • marcar livros lidos,
  • fazer resenhas,
  • marcar livros desejados do momento
  • marcar livros que você tem e deseja trocar

E MUITO mais! Imagine conhecer alguém pelas coisas que ela costuma ler?

O que mais gostei é que sempre pensava em algo que queria ler e depois esquecia. A memória sempre deu um jeito de atrapalhar minhas leituras mais legais hahahaha’. Agora, sempre que penso em um algo que gostaria, adiciono ao meu Skoob, assim tenho sempre em mãos o que realmente quero quando alguém me pergunta.

Livro, CD e DVD é o tipo de coisa que sempre enrolo pra comprar e acabo pedindo de presente pra algum amigo ou parente em datas comemorativas. Agora acabou essa vida de esquecer os títulos mais cobiçados. 

Gostaria de dar ênfase em algo bem legal que já disse acima: TEM COMO TROCAR LIVRO! Isso é beeem legal porque nem sempre amamos os livros que ganhamos, ou acontece de comprar um achando que vai morrer de amor e no fim é só mais um livro regular. Aí você pode trocar com os coleguinhas da rede social e conhecer outros títulos que talvez não compraria organicamente.

Tenho uma regra para a troca de livros: se eu amei e me apeguei emocionalmente, eu fico. Se foi só mais um livro na minha vida, troco ou passo pra frente.

Aqui em BH tem um projeto literário bacana que possibilita “esquecer” livros em pontos de ônibus, assim outras pessoas acham e depois “esquecem” outros livros. Legal, né? E é isso que acontecerá com meus livros regulares. Serão esquecidos pela cidade com bilhetinhos fofos. Ou vocês querem testar esses livros? Que tal a gente trocar entre si? Se alguém animar já manda aqui falando qual quer que eu dou um jeitão de enviar. OK?

O que vocês acharam dessa rede social diferentona?

Beeeijos e até a próxima! 😉

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